Segunda-feira, Outubro 16, 2006

[.the universal speaks.]


Eba, comprei uma camisa do Blur!
Sim, durante muito tempo, isso foi um sonho. O Blur foi uma banda que demorou pra eu pegar um certo fanatismo, apesar de, como todo mundo, não apertar start na apresentação do FIFA 98.
O Blur me representa felicidade. É aquilo que escuto quando quero andar sorrindo pelas ruas com a mochilinha nas costas com o vento repartindo a franjinha brit ao meio.
Esses dias aluguei o Starshaped. Foi algo que, digamos, me fez feliz numa hora desgraçada. Ali reconfirmava que não há mais nada que possa fazer na vida além de cruzar a Inglaterra, a Argentina, o Brasil, ou a região de Campinas que seja, num ônibus, tocando de canto em canto. Tudo ali, principalmente a franjinha, eram exatamente o que eu queria ser.
Eu, quando fico feliz, viro o que o Damon Albarn vira ali. Um tresloucado que se joga nos cubos, que pula feito um louco e faz bizarrices. Ele não é um cara que eu daria um abraço e ia chorar quando vesse, como o Billy Corgan. Até porque o que ele fez na merda do Gorillaz me deixou muito magoado. Mas ele ainda sim é um modelo pra mim. Sua fase favorita é quando ele foi pego pela dor de cotovelo no disco 13. Eu vi uma vez uma foto dele com a filha no colo, e depois da biscate da Justine. O que me fez ver que é possível refazer a vida depois de partir o coração ao meio.
Pois é, queria ser Damon Albarn, mas por enquanto, sou só Jubilee, o menino anormal que ele descreve no Parklife. Pra quem não entendeu, o link abaixo tem a letra:
http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/Jubilee-lyrics-Blur/670AE86E1C7CC418482568A100160727.
Vou tentar manter uma regularidade nas postagens desse blog. A periodicidade, não sei ok?
Um abraço a todos.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

[.transports. motorways and tramlines.]

Aí você acorda e descobre que não sobrou muita coisa na sua vida. Que nada vai fazer você escapar de morrer sozinho.
É um vazio que você sente colapsar por dentro, e nada mais salva a não ser ficar o mais longe de casa o possível.

São Paulo. Trens. Acima de tudo, trens. Mas a cidade faz as pessoas parecerem mais solidárias, faz um sorriso, um bom dia valer mais. Geralmente o sentimento de vazio, morte que essa cidade minha passa, faz eu me sentir pior, tô ficando com pânico dela, sério.
Cidades grandes são o melhor lugar pra gente sozinha. Gente sozinha repara mais nas coisas. E cidades grandes tem mais coisas pra se reparar. Eu não veria a beleza daqueles prédios pichados e asfalto molhado se tivesse alguém pra me ocupar. As vezes penso isso. As vezes penso como seria melhor ter alguém do lado e fazer esses comentários ao vivo, pra alguém ouvir. O Ian, gênio que é, matou a charada em Isolation:

But if you could just see the beauty,
These things I could never describe,
This is my one consolation,
This is my one true prize.

As vezes uma chuva, um céu branco, algo bonito mas melancólico aperta ainda mais, aí bate aquela vontade de sair correndo, e ir longe, longe, até nunca mais conseguir voltar pra casa. Sabe, eu queria saber se seria tão maluco se não fosse solitário, mas as vezes é algo intencional, chegou num ponto onde todos amigos, visto que não conseguem consolar mais, apenas deram no saco, passaram a ser insuportáveis. Só precisava de uma pessoa do lado, uma. Mas não dava, e nunca vai dar. E nessa hora acordo no centro, com dois chinesinhos jogando bola no meio aos prédios do centro da cidade, como se aquilo fosse uma rua de cidade de interior. Isso faz me pensar como queria ter crescido lá. Não ver aquilo de fora, como um lugar distante. Talvez no meio a tanta gente, eu acharia alguém que me entendesse e gostasse de mim. Mas hoje eu tenho muita idade nas costas, e não posso mais crescer lá nem em lugar nenhum.