Sábado, Abril 19, 2008

[you.can.taste.the.fire.from.yourself]

Antes de mais nada, a vida é feita de disfarces. Não só aqueles que tem um jardim na cabeça com um mundo sujo em volta. Tem os que fazem trincheiras desnecessárias na expectativa (ou esperança) de uma guerra com o resto do mundo, há quem faça máscaras apenas por gostar de usar elas, bem, pouco importa. Como quem cimenta a calçada e se esquece que há 20 quilômetros de terra abaixo daquela casquinha, , chega um dia onde a gente passa a acreditar na própria mentira.
A maioria funde sua mentira com a mentira dos outros, e assim segue feliz até o fim da vida. Mas algumas pessoas, recebem daquilo que alguns chamam de Deus, outros de Alá, Buda, destino, acaso ou Capitalismo um castigo cruel: um pouco de inteligência. E eles percebem que não são aquilo que acham que são. Alguns sofrem um pouco mais, são mais inteligentes ainda e percebem que não são aquilo que eles queriam ser também.
Daí pra frente, é tudo desespero. O jogo de esconder o que você sente só gera mais coisa para esconder. Até o dia onde tudo não cabe mais onde quer que você esteja escondendo. Lógico que um dia você perde a noção de tudo a sua volta. Lógico que tudo vira um mundo de psicose onde todos querem te comer vivo. Mas isso não é o pior: um dia você vai olhar no espelho e não vai ver você. Não vai ver o que você queria ver. Não vai ver simplesmente nada.
Poderia ter sido tarde demais pra ver que a vida não é tão ruim assim. Mas ainda há pessoas que conseguem fazer o caminho de volta. Os que conseguem se livrar disso tudo, e os que mergulham no jogo até o fim e vencem, enganando todo mundo que precisa sobre quem eles realmente são: todos, menos eles mesmos. E esses são os dois grupos mais corajosos de pessoas.