Sábado, Janeiro 27, 2007

[slow.down]


last chance to make believe in always and all it seems
train wrecks hide underneath your umbrella
set the framed destiny on this first name soliloquy
tired symphonies play downward

(let me give the world to you - the smasing pumpkins)

Eu trabalho perto duma linha de trem ativa. Em alguns dias de sorte, consegui ouvir o trem apitando de longe. Eu sou apaixonado por trens, talvez alguém aqui não saiba. Mas eu nunca tive a idéia fantástica de ir lá andar sobre os trilhos. Eu sempre tava ocupado com algo mais importante.

Essa semana eu não tinha vontade de fazer nada na vida. Então eu fui. Eu fiquei mais deprimido por ver o estado de abandono duma coisa que eu gosto tanto do que feliz, porque eu me sentia livre. Eu gosto de trilhos, por ver eles desbravando o mato, avançando sobre o selvagem, e isso faz eu sentir que posso também. Eu me sentia preso, eu queria fugir, eu queria correr por aqueles trilhos até chegar na Júlio Prestes, em São Paulo.
Eu queria ir o mais longe que pudesse pra compensar o vazio que eu carregava. Eu saí da linha e fui pra beira da rodovia. Chorando feito um louco. Eu imagino o quão bizarra deveria ser a visão daquele menino feio, sujo de graxa, chorando por estar perdido, não no espaço, mas na vida, no destino, com as convicções destruídas.

Eu estava em cima da passarela, com a visão alí, do sul, chamando de volta, sorrindo, dizendo "Volta, Luiz, volta pegar o pedaço do seu coração que você deixou, volta com o corpo, que sua cabeça ficou aqui."
E eu, que ali sozinho, eu realizei o sonho de estar o mais longe de casa que podia, que ali me sentia feliz, humano, parecia que voltando eu ia passar a ser uma pessoa novamente, como mágica. Eu pensava se pelo menos a sementinha que plantei, na memória do que me faz sorrir e chorar, tinha vingado. Pelo menos isso era o que queria, que ela soubesse que ninguém ia ser tão insano novamente daquele jeito na vida dela. E eu queria olhar e procurar naqueles olhos a resposta de tudo isso, era isso que eu queria, mas eu vou morrer sem saber, e mesmo sem saber como procurar, eu decidi partir de volta.
Quando tomei a cidade de volta, onde as pessoas me olham estranho, eu ainda carregava o rosto vermelho e inchado, daquele menino fofo e rejeitado, todo meigo, delicado e idiota, mas pelo menos, a única pessoa que me amou, por uma semana que fosse, me amou por eu ser fofo e idiota.

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

[you´re.driftwood.floating.underwater.breaking.into.pieces]

"...As vezes eu te odeio, principalmente quando eu tenho problemas e em vez de me confortar você só se preocupa em deixar bem claro que a tua vida é pior que a minha(ps: beeem pior)
Apesar de te odiar(momentaneamente,não se preocupe) por isso, por mais que seja estranho, eu acho que não consigo esperar outra reação de você (sabe aquela tipica reação "normal" de uma pessoa te consolar?) porque você não é assim. Afinal,como você mesmo diz "não vem com aquele velho discurso que tudo vai dar certo,porra!" Você parece um pai, é isso, mas não aqueles pais que limpam a tua ferida, passam um mertiolate fdp (e ainda falam que não vai arder,mas arde!) falam que vai passar rapidinho, que ficam fingindo q o mundo é um mar de rosas (para isso eu já tenho todo o resto do mundo)
Não, você parece aqueles pais que quando você é criança você odeia, porque o nível de honestidade dele é tão grande que você não acha justo que você, uma criança, tenha que lidar com tudo isso, mas depois percebe q não podia ser criado de uma forma melhor, que ele te fez mais forte para enfrentar tudo.
Eu sei que talvez se alguém ler isso, não vai entender merda nenhuma, (nem eu sei se o que eu escrevi ai em cima faz algum sentido) mas quero que saiba que eu te adoro por isso.
Não por ser meu amigo ou fazer isso ou aquilo só pra me agradar,mas por ser verdadeiro
disso sim ,eu não vou esquecer."

Alícia sobre Luiz.

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

[I´m.gonna.see.you.through.this.my.love]

Eu estava revirando minhas coisas e achei uns escritos de mais ou menos, uns dois anos atrás. Odeio requentar coisas, porque dão a impressão que não consigo mais escrever nada, mas eu simpatizei com a mensagem desse.

"Ano após ano, as estrelas foram desaparecendo do céu e nós nunca pensamos que o céu poderia ficar preto. Ano após ano, pensando em sumir com elas porque não conseguíamos dormir com o céu claro.
Quando reparamos que só havia uma única e grande estrela no céu, brilhando e nos convidando a voltar a hora que quiséssemos.
E quando ela desaparece, a gente vê que ela era o único ponto brilhante, e sempre foi. Tudo em volta era reflexo dela, como se fossem planetas, luas.
E poucas pessoas veem, mas existem tantos tipos. Supergigante, amarela, neutron, mas mesmo quando desaparece, ela nunca morre. Os olhos podem não ver, mas lá está ela, e quando ela parece morta, o buraco negro machuca e arrasta tudo pra dentro dele.
E quem pode sentir chora, mas a maioria das pessoas comemora o céu escuro, permitindo que elas possam dormir pra trabalhar amanhã. O que foi o sol do amor hoje é a lâmpada da conveniência.
Mas o sol espera pela gente.

E ano após ano, a gente aprende a viver sob o céu negro e esquece que o céu foi feito para as estrelas, não para nós."