Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

[walking.walking.walking]

Ah sim, os anos. Os anos passando, os dias escorrendo, e a gente precisa eleger uma data pra olhar pra trás e ver que tudo foi embora.
Ah sim, os anos, as horas, como se a fita acabasse, e sua cabeça resolvesse rebobinar tudo, em um dia, e pintasse tudo cada minuto com uma cor. E cada lembrança ruim serve de incentivo, cada lembrança boa é como um alívio, como se você, semi desmaiado, no corner dum ringue, com todos que te amam, chacoalhando sua cara com tapas e dizendo, "vai lá!"
E você? Você só lembra do seu oponente caçoando de ti, do seu peso, da sua aparência um dia antes. E não há mais o que você possa fazer. Você jamais vai esquecer do seu corpo prostrado no chão, e da vergonha que foi isso, você quer vingança, você quer, mas você não pode fazer mais nada.
E olha pra eles, tão sorridentes, confiantes, e queria que eles não te amassem, queria pelo menos, não ter esse peso de fazer pessoas tão especiais tristes, por não poder se mostrar feliz pra elas.
Porque? Porque você escolhe sempre aquela imagem, que mais te tortura, que mais dói, pra ficar repetindo, pra sempre, que dói mais ainda, e não consegue escapar? Você não se levanta do chão sozinho. E ninguém pode entrar no ringue e te tirar dali. Ninguém pode te levantar, nem você mesmo. Ou pode? Há quem possa. Mas quem pode, vai chutar suas costelas assim que puder, quem sabe que pode te fazer feliz, vai sempre te deixar mais triste ainda, como se sua dependência importasse pra eles.

Ah sim, Luiz, olha o novo ano, sorrindo, por detrás da montanha, colorindo os dias, com aquelas mesmas cores lembra? Do ano passado, retrasado, aquele raio de esperança que se esgota tão rápido, e você aprende a viver sem ele.
Olha lá, tudo mudando, a sua volta, você mudando, você fazendo mudar, e o que te deixa ainda assim? O que te faz triste se tudo só depende de você agora? Como dói ter chegado aonde você chegou, e olhar pra trás e ver que não adiantou, que você venceu, mas não aonde e como queria. Que naquelas fotos, você ainda não se vê, que hoje, tudo é melhor, mas ainda não é suficiente, e o passo adiante que lhe falta parece impossível?

Você sabe do que precisa, garoto, você sabe.

Esse é justamente o problema.



Losing in your home town
The Crowd call your name
They will love you all the same

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Incrível a capacidade do ser humano em se apegar a coisas e pessoas de uma forma tão intensa que pode acabar nos tornando cegos, e assim não conseguimos enxergar as outras portas abertas.
eh preciso esforço para trilhar nosso caminho em busca de algo melhor, pois tudo parece nos levar sempre àquela porta que se fechou. Existe o petróleo, mas eh preciso cavar o poço para retirá-lo, aí a questão do nosso esforço para que ocorram mudanças positivas. Fácil falar, difícil fazer, mas não custa tentar, e a época eh boa para isso.
Força, praguinha :)

09:10  
Blogger Fernando Ramires said...

Ohhh the years burn!

A minha frase preferida do ano será "The child is grown, the dream is gone"!

Espero que sinta falta de mim, espero que um novo eu te visite em manhãs cinzas. Mesmo sem nada pra dizer.

01:01  
Blogger Flávia said...

fim dos tempos... fiz um brog

17:06  

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