[o.hino.inimigo.ressoa,.e.ressoa]
Ah sim, os rojões. Como era melhor! Como era melhor do que passar a virada na sacada, ouvindo Let Down, alheio a aqueles fogos, e aquele povo.
Sempre, com sua mochilinha, seu ar de garotinho perdido, no meio dos estranhos, fazendo de tudo pra agradar, e de tudo pra ser agradado, a quilômetros de casa.
Ela vira, me beija, e eu olho a volta, todos se felicitando, e eu com aquele meu ar de alheio, o mesmo daquele dia, de 31 de dezembro de 2005. Ainda faltava alguma coisa. Olho de novo, me perguntam "E seus pais, não quer ligar pra eles?" "Eles não tão em casa." Precisava de tudo menos deles nessa hora. Pra que lembrar deles.
"-Feliz ano novo, Luiz"
"-Obrigado, e obrigado por me dar a melhor coisa que já tive na minha vida, Liliana"
A pequena, toda saltitante, "a melhor coisa que já tive na vida", sim, ali defronte, eis que a outra pequena a puxa, "Vem, me conta tudo!", com aquela empolgação juvenil, aquela empolgação, que mais uma vez, eu não faço parte.
Sobra pra mim tudo o que sobrou dia 31 de dezembro de 2005: sobra eu mesmo, julgando tudo:
"Mais um ano, Luiz. Mais um ano que passou perdido, e mais um ano que vem sem garantir nada, e prometendo muito. E o que vai acontecer contigo, quando você for embora daqui? Ela vai te esquecer, você vai encarar sua cidade, seu emprego de novo, de cabeça baixa, como sempre..."
Ela me viu chorando do outro lado da sala, me pôs no colo, e como, que mentalmente, me disse: "Cale a sua boca". Abriu um largo sorriso e seus olhos se encheram de lágrimas.
Ora, que patético, um marmanjo, um sujeito sem casa que se vira a 500km de casa sozinho, no colo, dependendo duma menina.
"-Porque você chora? Sou eu quem choro aqui, esqueceu?"
"-Porque eu não sei viver sem chorar", chorando mais ainda. O que não é verdade. Porque por longos 8 meses, ninguém mais veria ela chorando, e 8 meses depois, não era mais por minha causa, nem de felicidade. Whatever, cada um paga o preço que tem que pagar.
Eu me levantei, e olhei pra tudo em volta de novo, como se um anjinho tivesse me feito enxugar os olhos (e tinha) e ver a vida de outro modo. Eu, pela primeira vez na vida, eu vi um ano novo como as outras pessoas vêem, eu vi como uma chance de fazer tudo diferente, de começar as coisas do zero, de ser feliz, corrigindo que tudo deu errado."
E hoje, quando ano passado, eu estava desse jeito, hoje que todas profecias se concretizaram e tenho mais um ano novo pela frente, não me atormenta isso ter passado. Não me atormenta tudo isso ter acabado, porque eu sabia que ia acabar. Não me atormenta ter acabado tão rápido, porque ia, eu sabia que ia. Me atormenta não poder lembrar disso, lembrar como se tivesse sido mentira, uma coisa que eu inventei, pra disfarçar todo o resto, porque todos os lados, menos o meu, renegam isso. Eu gosto de lembrar disso, mesmo tendo acabado, só queria lembrar em paz, poder lembrar com todas as forças, já que é o que me sobrou
Sempre, com sua mochilinha, seu ar de garotinho perdido, no meio dos estranhos, fazendo de tudo pra agradar, e de tudo pra ser agradado, a quilômetros de casa.
Ela vira, me beija, e eu olho a volta, todos se felicitando, e eu com aquele meu ar de alheio, o mesmo daquele dia, de 31 de dezembro de 2005. Ainda faltava alguma coisa. Olho de novo, me perguntam "E seus pais, não quer ligar pra eles?" "Eles não tão em casa." Precisava de tudo menos deles nessa hora. Pra que lembrar deles.
"-Feliz ano novo, Luiz"
"-Obrigado, e obrigado por me dar a melhor coisa que já tive na minha vida, Liliana"
A pequena, toda saltitante, "a melhor coisa que já tive na vida", sim, ali defronte, eis que a outra pequena a puxa, "Vem, me conta tudo!", com aquela empolgação juvenil, aquela empolgação, que mais uma vez, eu não faço parte.
Sobra pra mim tudo o que sobrou dia 31 de dezembro de 2005: sobra eu mesmo, julgando tudo:
"Mais um ano, Luiz. Mais um ano que passou perdido, e mais um ano que vem sem garantir nada, e prometendo muito. E o que vai acontecer contigo, quando você for embora daqui? Ela vai te esquecer, você vai encarar sua cidade, seu emprego de novo, de cabeça baixa, como sempre..."
Ela me viu chorando do outro lado da sala, me pôs no colo, e como, que mentalmente, me disse: "Cale a sua boca". Abriu um largo sorriso e seus olhos se encheram de lágrimas.
Ora, que patético, um marmanjo, um sujeito sem casa que se vira a 500km de casa sozinho, no colo, dependendo duma menina.
"-Porque você chora? Sou eu quem choro aqui, esqueceu?"
"-Porque eu não sei viver sem chorar", chorando mais ainda. O que não é verdade. Porque por longos 8 meses, ninguém mais veria ela chorando, e 8 meses depois, não era mais por minha causa, nem de felicidade. Whatever, cada um paga o preço que tem que pagar.
Eu me levantei, e olhei pra tudo em volta de novo, como se um anjinho tivesse me feito enxugar os olhos (e tinha) e ver a vida de outro modo. Eu, pela primeira vez na vida, eu vi um ano novo como as outras pessoas vêem, eu vi como uma chance de fazer tudo diferente, de começar as coisas do zero, de ser feliz, corrigindo que tudo deu errado."
E hoje, quando ano passado, eu estava desse jeito, hoje que todas profecias se concretizaram e tenho mais um ano novo pela frente, não me atormenta isso ter passado. Não me atormenta tudo isso ter acabado, porque eu sabia que ia acabar. Não me atormenta ter acabado tão rápido, porque ia, eu sabia que ia. Me atormenta não poder lembrar disso, lembrar como se tivesse sido mentira, uma coisa que eu inventei, pra disfarçar todo o resto, porque todos os lados, menos o meu, renegam isso. Eu gosto de lembrar disso, mesmo tendo acabado, só queria lembrar em paz, poder lembrar com todas as forças, já que é o que me sobrou

4 Comments:
Não restam apenas as lembranças, sempre há espaço para novos acontecimentos!
feliz ano novo!
quem vive tem esperança, quem não tem esperança não vive, não que isso seja algo positivo, mas eh realidade.
Feliz ano novo, menino da franjinha brit
ah tinha me esquecido, acho que essa música diz tudo isso:
Where there's life there's gotta be hope
And where there's a will there's a way
One man's in is another's out
I gotta get out today
(So Young, Stone Roses)
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